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Justiça proíbe hospital no RS de cobrar pacientes do SUS e determina devolução em dobro

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Hospital no Vale do Taquari é proibido de cobrar pacientes do SUS e pode pagar multa por irregularidades

Uma decisão recente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) trouxe mudanças importantes para o atendimento de saúde em Arvorezinha. A Justiça determinou que o Hospital São João de Arvorezinha suspenda imediatamente qualquer tipo de cobrança feita a pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Cobranças consideradas ilegais

A decisão judicial aponta que a instituição vinha exigindo pagamentos por serviços que deveriam ser totalmente gratuitos dentro do SUS, como consultas, exames e internações. A prática foi considerada irregular, e o hospital poderá ser multado em R$ 1 mil a cada nova cobrança indevida identificada.

Devolução em dobro e indenizações

Além de interromper as cobranças, o hospital também deverá devolver os valores pagos pelos pacientes — e em dobro. A Justiça ainda reconheceu que muitos usuários passaram por situações de constrangimento e sofrimento, o que abre espaço para indenizações por danos morais. Esses valores serão definidos caso a caso, levando em conta o impacto da cobrança e a condição de saúde de cada paciente.

Prática ocorria há anos

De acordo com a Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul, as cobranças vinham sendo feitas desde 2015 e atingiam diversos pacientes. Mesmo em atendimentos que deveriam ser totalmente custeados pelo SUS, usuários eram obrigados a pagar para receber assistência.

Justificativa do hospital é rejeitada

No processo, o hospital alegou que possui número limitado de vagas destinadas ao SUS e que, ao ultrapassar esse limite, poderia cobrar pelos atendimentos de forma particular. No entanto, a juíza Paula Cardoso Esteves não aceitou essa justificativa.

Segundo a magistrada, relatos reunidos durante a ação indicam que o atendimento, em alguns casos, só era realizado mediante pagamento, mesmo quando o paciente buscava o serviço como usuário do SUS.

Atendimento não pode ser condicionado a pagamento

A decisão reforça que, em situações de urgência e emergência, a limitação de vagas não pode ser usada como argumento para cobrança. Nesses casos, se o sistema público não conseguir atender, a legislação prevê que o serviço privado seja utilizado — mas o custo deve ser assumido pelo poder público, e não pelo paciente.

Novas obrigações ao hospital

O hospital também foi obrigado a adotar medidas de transparência, como:

  • Fixar, em local visível, um aviso informando que o atendimento pelo SUS é gratuito e universal

  • Divulgar diariamente o número de leitos disponíveis para pacientes do SUS

Caso descumpra essas determinações, poderá ser aplicada multa diária de R$ 500.

Impacto na comunidade

A juíza destacou ainda que, por ser o único hospital da cidade, a instituição teria colocado moradores em situação de vulnerabilidade, pressionando financeiramente pacientes em momentos delicados.

Hospital vai recorrer

Procurado, o hospital afirmou que discorda da decisão, classificando-a como equivocada, e informou que pretende recorrer. A instituição também declarou que segue atendendo pacientes do SUS de forma gratuita conforme contrato com o Estado.


Fonte: Diario Gaucho


Editado por Jefferson Gauchão

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Do poder à denúncia: acusação contra ministro do STJ abala confiança na Justiça

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 Um abalo que vai além do Judiciário

A abertura de uma sindicância contra um ministro do Superior Tribunal de Justiça não é apenas mais um episódio jurídico. É um abalo profundo na confiança pública, especialmente quando envolve uma denúncia de importunação sexual contra uma jovem de apenas 18 anos.

O caso envolvendo o ministro Marco Aurélio Buzzi, natural de Santa Catarina, expõe uma ferida sensível da sociedade brasileira: o choque entre poder institucional e vulnerabilidade individual. Quando uma acusação desse tipo surge no mais alto escalão do Judiciário, o impacto ultrapassa os tribunais e atinge diretamente a percepção de justiça, proteção e igualdade.

A decisão unânime que revela a gravidade

Na última terça-feira (4), o plenário do STJ decidiu, por unanimidade, abrir uma sindicância interna para apurar a denúncia. A unanimidade, nesse contexto, não é um detalhe técnico: ela sinaliza que os ministros entenderam haver elementos suficientes para uma investigação rigorosa, mesmo diante da posição elevada ocupada pelo acusado.

Em uma instituição que simboliza a última instância da cidadania para milhões de brasileiros, o gesto representa um recado claro: nenhuma autoridade está acima do escrutínio.

Quem é Marco Aurélio Buzzi e como chegou ao STJ

Em meio à polarização política, informações imprecisas rapidamente se espalham. Diferente do que muitos imaginam, Marco Buzzi não foi indicado por Lula nem por Bolsonaro. Sua nomeação ocorreu em 2011, durante o governo da então presidente Dilma Rousseff (PT), após uma longa trajetória no Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

Esse detalhe é relevante não apenas politicamente, mas institucionalmente: reforça que o caso não se resume a disputas partidárias, e sim a uma acusação grave que precisa ser analisada com seriedade e responsabilidade.

O relato que deu origem à denúncia

Segundo a denúncia, o episódio teria ocorrido no mês passado, durante as férias do ministro em Balneário Camboriú (SC). A jovem é filha de um casal de amigos próximos de Buzzi, o que torna o caso ainda mais delicado do ponto de vista humano e emocional.

De acordo com o relato apresentado às autoridades, o ato teria ocorrido no mar, quando o ministro teria tentado agarrar a jovem à força. A situação rompe não apenas limites legais, mas também laços de confiança, algo que costuma deixar marcas profundas nas vítimas.

A mãe da jovem, advogada, viajou até Brasília para relatar pessoalmente o ocorrido aos ministros do STJ. Acompanhada dos pais, a jovem também registrou um boletim de ocorrência, formalizando a denúncia.

Três frentes de investigação

O caso agora avança simultaneamente em três esferas, o que demonstra sua complexidade e gravidade:

  • No STJ, uma comissão formada pelos ministros Raul Araújo, Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira conduz a sindicância interna.

  • No CNJ, o Conselho Nacional de Justiça avalia possíveis consequências administrativas.

  • No STF, devido ao foro privilegiado, a parte criminal está sob relatoria do ministro Nunes Marques.

Cada uma dessas frentes representa uma expectativa social clara: que a verdade seja apurada com rigor, transparência e respeito à vítima.

Defesa, silêncio institucional e o peso da palavra

Em nota, Marco Buzzi afirmou estar “surpreendido” e classificou as acusações como insinuações que “não correspondem aos fatos”. Do outro lado, o advogado da família da jovem, Daniel Bialski, reforçou a necessidade de cautela e proteção.

“Neste momento, o mais importante é preservar a vítima e sua família, diante do gravíssimo ato praticado. Aguardamos rigor nas apurações e o respectivo desfecho perante os órgãos competentes”, afirmou.

A declaração ecoa um sentimento cada vez mais presente na sociedade: a necessidade de colocar a vítima no centro do processo, e não apenas o acusado ou o cargo que ele ocupa.

Mais do que um caso, um teste institucional

Independentemente do desfecho, o caso Marco Aurélio Buzzi já se tornou um teste de credibilidade para o sistema de Justiça brasileiro. Para muitos cidadãos, ele simboliza a esperança de que denúncias graves sejam tratadas com seriedade — mesmo quando envolvem nomes poderosos.

A forma como as instituições conduzirão essa investigação pode definir não apenas a trajetória de um ministro, mas também o nível de confiança da sociedade na Justiça que a representa.

Fonte: ND+


Editado por Jefferson Gauchão

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Editado por Jefferson Gauchão
 
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